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Bem Vind@ ao RANCHINHO DE POESIAS da cumade Lília Diniz


 

 

Arremêdo

 

Num sô fia de vaqueiro

nem fia de aboiadô

nem fia de repentista

ou de poeta emboladô

mas trago verso na língua

pro roceiro e pro dotô

 

Verso catado no chão

no pingo do meio dia

debaixo do sol rachando

queimando minha poesia

fundida com o sol a pino

que as letra se alumia

 

Sendo fia de roceiro

e quebradeira de coco

os meus versos são rasteiro

o que trago é muito pôco

nesse aboiar em lamento

o meu canto é muito rôco

 

Queima que nem cansanção

a minha alma brejeira

se não faço rimas, toadas

que me vêem na cumieira

do meu fogo  pensamento

viro eu uma fogueira



Escrito por lilia diniz às 19h28
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Traz esse coco Maria

Faz a cocada

Que é pra mode

A gente comer

Traz esse coco Maria

Tira o leite

Rumbora botar no pexe

Pra gente comer

 

Meu babaçu que tanto quero liberto

Açaí e bacuri nós iremos liberto

Traz o macete o machado

Pega o cofo

Menina segura o coco

Rumbora o coco quebrar

 

Babaçuando nas brenhas do Maranhão

Desse coco quero o leite

O azeite e o carvão

O mesocarpo, palha, estrume, sabão

As filhas dessa palmeira

Resistindo a ambição

 



Escrito por lilia diniz às 19h12
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Sou raiz e vou caminhando

sobre minhas raízes tribais.

                             Cora Coralina



Escrito por lilia diniz às 20h10
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Do perdido tempo

Do passado tempo

Escuto a voz das pedras:

Volta... volta... volta...

E os morros abriam para mim

Imensos braços vegetais

 

E os sinos das igrejas

Que ouvia na distancia

Diziam: vem..vem...vem...

 

E a água do rio que corria

Que chamavam... chamavam

                           Cora Coralina

Sei apenas que ouço o mesmo chamado e sigo adiante 

...



Escrito por lilia diniz às 19h56
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foto: acervo CDVDH - Açailandia-MA       www.cdvdhacai.org.br/

 

Quando as vozes

não mais forem roucas

cortarão os céus

e calarão o grito

dos que destilam

opressão

 

HOJE AMANHECI TOMADA DE DORES COM ESTE OLHAR

REGISTRO DO TRABALHO ESCRAVO NO MARANHÃO

 



Escrito por lilia diniz às 09h37
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Ribeirão

  

Socada mata adentro

ouvi o fuxico das gameleiras

bendizendo tua beleza.

Seduzida pelo

mumuiar de tuas águas

mergulhei cabreira 

com sede e desejo

de provar o gosto teu.

Molhada por inteira

me despi dos pudores,

descansei em tua ribanceira,

fiquei a espiar

tuas curvas tesas

que afogaram meu olhar,

arrastaram meu corpo

à pororoca dos rios em profusão 

Doce e manso ribeirão

 

(lília diniz - miolo de pote)

 



Escrito por lilia diniz às 14h40
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"Por ser de lá
do sertão, lá do cerrado

lá do interior do mato

d
a caatinga, do roçado

e
u quase não falo

e
u quase não sei de nada

s
ou como rês desgarrada

n
essa multidão,

b
oiada caminhando a esmo
 

Por ser de lá
na certa por isso mesmo

não gosto de cama mole

não sei comer sem torresmo

eu quase não saio

eu quase não tenho amigo

eu quase que não consigo

viver na cidade

sem viver contrariado"

 

Dominguinhos – lamento sertanejo



Escrito por lilia diniz às 14h33
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Alimento

 

Se faço

“Versos com gosto de vida”

“do que parece nada valer”

é que bebi água de chocalho

ao amanhecer,

fui ungida pelos dedos de

minha mãe

aquecidos ao fogo das

lamparinas,

provei o gosto

das canções enluaradas,

correndo

atropelei

estrelas nas

ladeiras

da Serra do Cravim,

banho meus sonhos

no açude da esperança

de Água Viva e

mato minha sede

com o miolo de pote

da cacimba de beber.

 

(foto:Diego Janatã - Teatro F.Gullar)



Escrito por lilia diniz às 15h41
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Nem só de poesia vivem os poetas?

Lá em Água Viva(MA)

 quebrando coco babaçu,

mode num esquecer o

baque do macete no coração!

 



Escrito por lilia diniz às 15h28
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Escrito por lilia diniz às 21h42
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     BOI IMPERADOR DA ILHA - DE TERESINA PIAUI

               RESISTINDO HÁ MAIS DE 70 ANOS 

AQUI O PASSADO E O PRESENTE CONSOLIDAM  O FUTURO!!!



Escrito por lilia diniz às 11h33
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Escrito por lilia diniz às 13h26
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Escrito por lilia diniz às 23h40
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FOTO: DIEGO JANATÃ/poeta da fotografia!!!

visite o site desse moço: http://www.flickr.com/photos/djanatapp 



Escrito por lilia diniz às 12h57
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Escrito por lilia diniz às 15h43
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