
Caboca Goyá Perdida nas sombras tortas do cerrado catando gravetos, folhas secas, flores murchas, um resto qualquer de cigarra morta que negue essa aldeia a pul(s)ar ancestralmente na batida do meu peito Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Goyá! Buscando uma erva que cure de vez a dor de uma ausência das fogueiras que jamais me esquentaram os pés Goyááááááááááááá! Sugando o encarnado das caliandras para tingir meu sangue de outro vermelho mais luz menos dor mais planta menos eu Goyá! Desejando encontrar um fruto acre amargo doce azedo que extinga por fim o gosto incomparável do suco de estrelas que me eleve a alma
Escrito por lilia diniz às 22h55
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 Algorando
Quero um caixão o mais belo que jamais vi nascido por entre as águas de frutos belos, palmas abertas que tenha abrigado a canção do juriti Uma mortalha tecida pelas mãos das fiandeiras com os fios enviesados por excelências dolentes enfeitada docemente com as toadas dos vaqueiros Meu túmulo, casa de barro quero buninas e perpétuas semeadas no terreiro Uma cruz quero por certo do talo de babaçu bem furnida com imbira grossa que é pra servir de descanso
pra rolinha pro nhambu
Escrito por lilia diniz às 19h57
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Fazimento de pôco Os versos que se achegam a mim têm sabedoria de jabuti e não me poupam de nada nem da aspereza das metáforas lerdas que passeiam em palavras rasteiras senhoras de si Ignorando minha incapacidade dão o mote e se vão
Escrito por lilia diniz às 18h45
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Quando teus beicim apitombado apareceram nas linhas tortas do meu olhar desandei léguas cerrado dentro de mim
Era ver cobra rastejando pelo gosto dessa raspinha acre-doce que juro ter o teu beijar.
Eu colibri baleado pelo desejo de provar a carnadura da tua bocaliandra e o cheiro jabuticaba dos teus cabelos sarará
Pele de jatobá marronzim cantiguinha de beija-flor sucupira floridinha ninho de fogo pagô
Mutambinha cheirosa araçá bem madurim araticum, cagaita ingá, meu ingá meu docim
Escrito por lilia diniz às 19h42
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http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.arteeeventos.com.br/paginas_leilao/pictures/ Meninice (Clauky, poetaçucena) E brincando com o tempo jogo palavras amarelinhas versos empetacados caem no poço de rimas e sigo ora em ciranda ora em bombarquim me encontrando no travesso esconde-esconde dos teus olhos meninos
Escrito por lilia diniz às 22h49
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TONNEVES - COLHEDOR DE ARROZ Leitura (poema para minha mãe Alice, que se alfbetizou aos 57 anos de idade) As letras do meu roçado agora teimam nascer com gosto textura cor Florescem as vogais semeadas entre consoantes plantadas na peleja diária de um alfabeto que floreia bonito Se debulha em colheitas de manhãs desabrochadas ao cantar do galo que me desperta alimentando meu canto de liberdade Abóbora, arroz, araçá, abacate, açaí... Banana, batata, babaçu, berinjela, bacuri... Caju, cacau, coco, cabaça, cajuí...
Nesse novo ABC aprendo e reaprendo que o trator do algoz não suporta a ternura arrebentando em palavras caminhantes ocupando o seio da terra resistindo com vocábulo do amor e produzindo lavouras de esperança na cartilha da vida
Escrito por lilia diniz às 21h58
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(TONNEVES - LATA DÁGUA - Acrilico em tela) Peleja
O dia mainceno terrero barrido mandioca raspada o forno acendido Quebrajejum pronto café já cheirano bascui apanhado galinha ciscano Os copo ariado os pote cheim arroz cangulado xerém pros pintim Cabaça inxida feijão debulhado caêra esfriano os coco torrado Passarinha o menino armando a arapuca de castanha a menina enche sua cumbuca
Ligume im fartura jumenta apojada o mio já no ponto foi boa a invernada Acende as candêa o dia vem truvano a cortina da noite já vem se fechano Me faz um xamego me tira o infado da peleja do dia do coipo cansado
Imbruia os menino mode a cruviana vem cá meu denguim meu melado de cana
Escrito por lilia diniz às 21h28
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Escrito por lilia diniz às 01h20
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 Por razão de encantamento de hoje em diante meu sorriso será doidamente amarelo como as flores de agosto que hipnotizam irradiando versos iluminados ofuscando os que ignoram a poesia incandescente e arrebatam almas descuidadas (imagem: http://www.joaobarcelos.com.br/casa_branca.jpg)
Escrito por lilia diniz às 11h23
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Quando estive em Brasilia(setembro de 1995) fui arrebatada pelo amarelo dos ipês que tomavam conta da cidade... Gestei esse encantamento e não deu noutra...
Escapadinha Que as boninas me perdoem! É que hoje fui arrebatada pelo amarelo, juro que não foi um amarelo qualquer. A cidade estava simplesmente a-m-a-r-e-l-a-! Cmo se não bastasse tanto amarelo em verso flor e poesia parecem ter em cochicho combinado tudo com os guapuruvús paus-ferro e acácias, pois lá estavam amarelinhos, amarelinhos. Perdoem-me amadas boninas, é que me deixei seduzir pelo amarelo dos ipês embora continuem minhas preferidas! Mas aquele amarelo... (Miolo de Pote da Cacimba de Beber)
Escrito por lilia diniz às 11h09
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Floramarela Das fulô que vi no mundo num posso aqui lhe dizer pois foram tantas e tantas mas vou tentar descrever se num falar de todas elas é que hoje de manhã cedo as outras eu pude esquecer apois das fulô mais bunita que já vi com esses óio foi as fulô do ipê Vi fulô de girassol de lírio e algodão cravo isaac e crisântemo begônia e cravo leão a gérbera e a celósia hibisco inté açafrão nessas fulô tudim amarelo eu pude ver mas as cor nem se parece cum as fulô do ipê Vi fulô de gameleira e também de jatobá de caju, de laranjeira de algodão, maracujá Maria Preta, cajazeira algaroba, piquizeiro e juá vi as fulô do mamulengo as fulô do muçambê e nenhuma é mais mimosa que as fulô do ipê As fulô do mandacaru é buniteza de esperança da chuva que vem chegano dum povo que nunca cansa os flamboyant em florada é espanhola em dança e as jardineira tem o cheiro dos dia que vai chover mas nenhuma me tocou que nem as fulô do ipê Vi fulô de onze e meia ingazeira, babaçu vi o milharal em florada os bacuri, os cupuaçu murici, andiroba, açaí as fulô do mulungu angico, cedro e barriguda e de tantas que vi florescer os meus oio se encantô mermo foi pelas fulô do ipê
Escrito por lilia diniz às 09h33
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Estamos celebrando 4ª Edição do Miolo de Pote, um livro de poesias, no país onde dizem as más línguas: "o povo não gosta de ler" . 4 MIL CÓPIAS de mão em mão, de café em café de escola em escola... Tenho mais de 4mil motivos para acreditar que é possível viver de poesia e arte neste país feito de arte e poesia! Obrigada a você que me fez acreditar que é possível! Agrado Na terra de pedra eu procuro uma estrela para o meu bem olho, procuro e não vejo parece que já não tem Estrela Dalva, uma das Marias qualquer uma pode ser do campo azul estrelado que germina ao anoitecer Amarela, cadente, vermelha bem aqui na minha mão pra clarear aquele olhar janela do coração Quero uma só que seja pode ser de qualquer cor eu só quero uma estrela pra agradar meu amor
Escrito por lilia diniz às 21h51
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Quiriniando (ao poeta Jessier Quirino) No meu caminhar de poeta levo um embornal de versos quando tou ganindo de fome agarro um taco de Patativa das vez que é duro mas é doce que arripuna Alumeio as varedas do pensar com uma lamparina Zedaluizada que é prá num correr risco de ser pega de treição pelo truvo da noite Tá certo que me incandeia mas alumeia que só vendo Agora dei de me Quiriniar ouvindo o trotar dos jumentos poetizados que rasgam madrugadas inteiras E uns vagalumezinho de versos se esbarram na minha frente que enquanto num boto eles no papel eles num me deixam dormir nem com a gota Tá certo que a luz deles é um quase nada mas dá pra ver dentro de mim
Escrito por lilia diniz às 18h02
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Escrito por lilia diniz às 20h23
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Escrito por lilia diniz às 20h01
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